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Prática, não profissão

Há uma distinção que me persegue há algum tempo: a diferença entre ter uma profissão e ter uma prática.

Uma profissão é o que aparece no contrato. Uma prática é o que acontece quando ninguém está a ver — as perguntas que fazes a ti próprio, os problemas que estudas sem serem pagos, a atenção que prestas às coisas que não têm utilidade imediata.

O que uma prática exige

Tentei escrever uma lista. Ficou assim:

  1. Tempo não contabilizado. Não tempo "criativo" que podes justificar numa fatura — tempo genuinamente sem produto.
  2. Tolerância para o trabalho sem audiência. Escrever notas que só tu vais ler. Fazer esboços que não levam a nenhum projeto.
  3. Curiosidade sem agenda. Ler sobre design como prática não porque alguém pediu, mas porque não consegues parar de pensar nisso.
  4. Uma posição. Não opiniões sobre ferramentas — isso é fácil. Uma posição sobre o que o design é e para que serve.

Sobre a posição

Não acredito que design seja resolução de problemas. Acredito que design é formulação de problemas. A resolução é consequência; a pergunta é o trabalho.

Esta distinção tem implicações práticas. Se o trabalho é formular a pergunta certa, então a maior parte do que se chama "processo de design" está a otimizar a coisa errada — a eficiência da resposta em vez da qualidade da pergunta.

O que tenho feito

Este sítio é parte da prática. Não é um portfólio — não foi construído para convencer ninguém de nada. É um lugar para pensar em público, com a lentidão que isso exige.

As notas que estou a escrever são outra parte. São pensamentos em progresso, não conclusões.

O trabalho para clientes é outra parte — a parte mais visível, mas não necessariamente a mais importante.


Não tenho uma conclusão. Isso também faz parte da prática.